segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Capetas em forma de guris

Um domingo calmo, sentada em frente a tv vendo Faustão nunca acontecerá em minha vida.

É preciso ser bem caótico. Senão não tem graça.

Dia das Crianças.

Não, não. Nada de dia 12 de outubro e presentes. Foi dia das crianças perturbarem.

Votação para prefeito e vereador. Espero meu pai me levar em Ramos para votar.

Ele, ainda tendo que trabalhar e votar em Copacabana, resolve almoçar antes.

Fomos a Tijuca, no restaurante da portuguesa.

(Deus, não me deixe faltar carro, porque tudo isso de ônibus...)

Chegando lá o Gustavo, enteado do meu pai, cismou de sentar em tal lugar. Meia hora depois estava uma porta de blindex desabando em cima da cabeça dele. Eu podia jurar que havia um alvo embaixo da cadeira...

Desespero. Afinal não é todo dia que uma porta de vidro enorme explode na cabeça de uma criança de 6 anos. E a criança de 6 anos ainda é bem magra e frágil...

Guga grita e chora. Eu olho e vejo um caco enterrado na cabeça dele. Minha madrasta e meu pai correm e apertam a cabeça do guri. Eu me ponho a berrar, "Tira a mão! Não põe a mão!"

Será que não sabem q não se mexe no acidentado????

Meu pai gosta do meu brado e faz o mesmo.

Clientes gritando que era tiro. Levamos a criança ao hospital então.

Meu pai, que já estava com o menino no colo, corre para o carro. Mas para que chaves, celular, nextel e bolsa, ?

Lá vou eu catando tudo que deixaram para trás. Entram cacos na minha sandália. Eu tiro e sacudo, mas não há tempo de repor. Saio correndo com bolsas, celulares, chave do carro, sandália não mão e um pé descalço. O motoboy do restaurante vai na frente abrindo caminho e meu pai atrás jurando que está dirigindo uma ambulância. Entram no hospital correndo. Deixam para trás o carro aberto com a chave na ignição. É, meu pai esqueceu que não sei dirigir. O motoboy se oferece pra estacionar. Entro no hospital, tremendo tanto que parecia que dançava o créu velocidade 10. Sandália na mão, bolsas e nada de avistar ninguém. De repente só dedos me indicando o caminho, como placas. Encontrei. Meu Deus, cada dia que passa estou mais mulherzinha. Olhei a criança, meus olhos inundaram, "Ele vai ficar bem?".

Ficou bem de fato (e eu não terminei meu filé mignon ao molho de vinho com arroz a piamontese...)

Só um susto, pra ver se nós estávamos espertos.

Votei e fui para a casa da Fran. Festa de 3 anos do Coelho, o caçulinha.

Festa de criança é sempre a mesma coisa. Crianças mal-educadas e sujas correndo e empurrando. Doces, muitos doces. Adultos malas puxando assuntos nada a ver.

Mas essa foi com esfihas do Habib´s e Mortal Kombat!

Dentre tudo mais uma menina antipática que quis folgar comigo, descobrir que pegar um táxi na Avenida Brasil é quase impossível, ter 20 é um saco pois os brinquedos tem permissão para idade máxima de 10 anos, festa de criança não tem cerveja...

Salvo o nosso campeonatozinho de Mortal Kombat!

Anos que não jogava fliperama...

Ou "frip"/"friper" como alguns menos favorecidos costumam dizer.

Cara, tinha esquecido como era bom!!! E junto esqueci todos os macetes de poder.

Ficamos só nos chutes e socos e liberando poder por pura cagada.

Reparem que há sempre um engraçadinho que escolhe o Motaro.

Para quem não se lembra, Motaro é aquele centauro enorme que só é vencido se o oponente agachar e socar debaixo para cima. Eu não lembrava disso. Perdi o campeonato.

Também havia me esquecido que quando começo a jogar não consigo parar. Monopolizei a máquina e estava quase rosnado quando se aproximavam. Coisas da vida.

Acabou a festa e fiquei esperando a mãe da Fran me levar a um ponto mais próximo. Com isso saí de Bonsucesso mais de 22:00.

Cheguei em casa quase as 23:00. Abrindo meu portão, olho de relance para o lado e vejo uma cabeça. "Puta que me pariu. Morei 7 anos em Ramos e nunca vi nada similar!"

Lá vem o ataque de vara verde de novo. Dessa vez 3 vezes mais intenso.

Não, não era uma cabeça cortada no meu portão. Era um táxi estacionado com um homem deitado ao lado. Só pude ver a cabeça.

Um bêbado, um morto, um infartado?

Não, um mendigo que SEMPRE dorme ali, segundo minhas tias.

Nunca reparei. Nunca.