terça-feira, 22 de junho de 2010

A saga, o cenário e as meninas.


Mais de uma semana depois que redijo o post...
Creio que muita coisa interessante vai ser perdida... Mas enfim.
Para economizar grana fui para Barra do Piraí de trem.
Cerca de uns 50 dinheiros de economia. E perda de umas duas horas a mais do dia.
Méier – Eng. De Dentro; Engenho de Dentro – Japeri; Japeri – Paracambi; Em Paracambi pego um ônibus para B. do Piraí.
Esse maldito ônibus de 8/9 reais aprox. que estraga o “mochilão”. Cerca de duas horas de ônibus, um passeio pelo sul do estado do Rio de Janeiro. Paracambi, Mendes, Paulo de Frontin, mais um monte de municípios e enfim Barra do Piraí.
O trem é tranqüilo. Basta organizar-se para não esperar muito entre um destino e outro.
Eu aguardei no máximo 20 minutos. Isso porque troquei os horários, peguei mais cedo.
Uns dois minutos do Méier ao Engenho, mais uma hora do Engenho até Japeri, uns 15 minutos de Japeri a Paracambi.
Bem, com a companhia de um bom livro e de um mp4 com uma boa e diversa setlist, dá para sobreviver.
Com a atenção devotada a “Senhor dos Anéis – As Duas Torres” quase perco todo o visual da viagem.
Eu lendo sobre sagas, andanças, colinas verdejantes... Levanto os olhos e me deparo com algo muito similar. E como boa leitora de alma épica me encanto... Quilômetros e quilômetros de pura paisagem... Divergindo apenas um ou outro barraco e/ou casa de alvenaria no meio do nada. Ah, isso sem contar as estações.
Minha “viagem” poderia ter sido interrompida por um ou mil vendedores de qualquer coisa (entenda como balas, biscoitos,bebidas, naftalina, gillete, vuvuzelas, etc.), mas o que me chamou a atenção foram mãe e filha abraçadas a minha frente.Havia tanta ternura entre elas, tanto carinho... A menina era linda, a mãe não. Mas eram quase idênticas. Prestando atenção na conversa delas com outra passageira ouvi que era aniversário da garotinha. 8 anos. Faltava ainda os dentes da frente. A “janelinha” conferia a garota mais graciosidade. Era simpática demais. O jeito de se vestir me lembrou minha irmã caçula. Era de se esperar que uma menina com essas virtudes se vestisse como uma criança da década de 30. Com vestido rodado e laço de fita. Mas ela tinha um estilo próprio. Toda de preto e Melissa. Quase que no Hanna Montana Style.
Ao reparar que eu a olhava, me encarou. Nem um traço de arrogância ou timidez. Me olhou com certa curiosidade. Mas o que há de curioso numa moça de jeans e camiseta, de ray-ban do Chico Xavier, lendo quase que ininterruptamente um livro?
Sorri com os olhos e continuei a ler. Não vi quando ela desceu.
Poucos minutos depois desço em Paracambi. Mais um tempinho aguardando o ônibus.
E todo o oposto da graça surge.
- Tá na fila do ônibus?
- Uhum.
Nem um “com licença”,  “obrigada” ou “boa tarde”.
Uma menina de aproximadamente a mesma idade da outra.
Trajando uma macacão estampado saruel e reclamando quando a mãe pedia/comia seu pastel.
Criaturinha arrogante. Me olhava de cima de seu 1.40 (aprox) de altura. Gorduchinha. Parecendo personagem de filme. Sentei-me e continuei a ler a saga do anel quando senti olhos em mim. Ela me olhava descaradamente. Nariz empinado tentando sacar o que eu lia.
- É Tolkien querida, não é para seu bico ou cérebro ou cultura.
Pensei eu. Tentei ignorar a anã até que ela pegou algum livro na bolsa da mãe e se pôs a ler. Eu penso que ela fingia. Qualquer coisa sobre Deus, era o livro.
Chegou meu ônibus, fui-me embora.
Mais de duas horas de viagem. Passageiros entrando e saindo, o ciclo se repetindo e eu lá ouvindo Edith Piaf, Secos e Molhados, Belchior, Abba,  Testament e Corvus Corax.E tem gente que diz que é eclético... O que seria eu, então?
Bem, cheguei na roça. Vi minha mãe e hermanos. Ai, quanta saudades. É tão gostoso o abraço de saudades da minha irmã. Pena que não a aguento mais no colo. Mais de ano que não via os meninos.
E nem é tão longe daqui do Rio... Fato que sempre falta grana ou tempo.
Uma semana maravilhosa, devo dizer. Como nunca passei com eles. Nem tive vontade de voltar. Mas voltei.
E em breve viajo de novo. Agora para Inglaterra. Seis meses fora. Ou mais. Ou menos.
Ansiedade e saudade precoce me dominam.
Mas estou feliz. Bastante.
Não estou mais feliz que isso por não reestrear a peça “Sorria, você está sendo Roubado”, agora no Teatro Vanucci.
Aos ex-companheiros de elenco e equipe técnica desejo MERDA!!!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mais uma vez várias coisas bacanas se passaram.
E eu só vou dar importancia às ruins.
Desanimo.
Total.
Olho em volta e vejo só mar. E não faço idéia para qual direção eu nado.
Me precipito e após algumas braçadas eu paro.
Medo de estar tomando o rumo errado.
Por ora é isso.

Música do dia: Black Chamber (de novo, eu sei) - Blind Guardian.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Modelo Capilar

Priscilla Raibott. Atriz e modelo. Modelo capilar.
hahaha
Sim, sim. Modelo Capilar da Alfa-Parf.
Fazer o cabelo de graça não é nada mal, não é mesmo?
O ruim é você não ter muito poder ou escolha sobre o seu cabelo, que agora é deles.
Precisavam de modelo para tintura vermelha. Eu que pinto o cabelo a 3 anos de vermelho e estava investindo no cobre, não vi nada demais.
Mas não gostei do resultado. Um vermelho escuro.

Segundo meu pai fiquei sóbria. Uns dizem que fiquei chique.
Mas o vermelhão encaracolado é o que expressa minha personalidade.
Vibrante, efusiva, "descolada"...

E na volta pra casa, sorumbática, eis que recebo um sms.
"Bateu saudade. Tem um tempo que penso em você direto. Espero que esteja bem."
Estaria melhor se não tivesse recebido sua mensagem.
Leave Chilli alone. Live your life.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Desejos estranhos...

Passam longe de querer comer geléia de gordura de baleia na madrugada...
Desejos de uma vida normal.
Yessss, sir!
Casar e ter filhos. Isso separadamente. Porque as duas coisas juntas são demais!
A idéia de criar uma criança, dar amor, carinho, conhecimento e depois vê-la abrir as asas e alçar vôo e reger sua vida é tentadora.
Até combate o medo das dores pré e pós-natais, as noites nunca mais dormidas (mamadas noturnas, doenças e baladas, respectivamente), a possível ingratidão do ser que sairá do meu ventre ou duma casa de adoção, as facadas financeiras,o sexo escasso e silencioso, etc.
Bem, essa história de filho me vem em momentos de extrema solidão e futuro incerto.
Mas já a do casamento...
Sábado, casamento de Thiago e Bete.
Thiago é um amigo do meu pai, pouca coisa mais velho que eu.
O vi adolescente, cheio de espinhas e de repente está  Thiaguinho em cima do altar. De olhos marejados e nervoso.
Casamento numa igreja evangélica, mas deveras bonito e interessante.
Noiva entra ao som de Glory of Love (música tema de Karate Kid) e sai ao som de Somewhere Over The Rainbow.
Devido ao fato dos dois serem de teatro, ele iluminador, ela atriz, foi tudo descontraído e divertido.
Sem dúvidas, eu, no auge da minha TPM e emotividade me imaginei num vestido vintage, de batom vermelho e muitas pérolas...
Entrando na igreja ao som de The Way You Look Tonight. Espero que meu "noivo" saiba cantar e cante-a para mim no final dos votos. E a festa, abrimos a pista com "I Say a Little Pray For You". Já identificou o filme, né?
Apenas sonhos...
Me vejo sentada, com um copo de whisky suado, fitando o vazia ao som de Edith Piaf ou Blind Guardian, com um jornal com a crítica, boa ou ruim, da peça que estou em cartaz.

A volta da boêmia...

Um mês.
Um mês que não sentia a brisa fresca da manhã no meu rosto.
Um mês que não tomava um gole de cerveja.
Um mês que eu não beijava ninguém enquanto pensava em outra pessoa. Mas pensava na mesma enquanto sentia o vento das primeiras horas da manhã.
Todo divertimento cai no esquecimento enquanto volto para casa, junto com as pessoas legais que conheci, junto coma conversa boa...
Mas meu distúrbio de atenção também se anula.
Ouço diversos pássaros cantandoe alguém conversando com eles em seus respectivos idiomas.
percebo que o primeiro prédio da rua tem jardim e olho embasbacada o sol iluminando suas flores vermelhas e amarelas.
Reparo que a marca de bola no doblô estacionado ainda está lá. Há meses.
Muitas pessoas saindo para trabalhar e eu chegando. E dessa vez nem sinto vergonha.
Paro na padaria, sem desligar os ouvidos do trem passando na estação.
Chego em casa, tomo uma dose de insulina, café da manhã e sento.
Escrevo até o sono me arrematar.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ai, as surpresas da vida...
Tudo ia tão bem. Finalmente tinha um caminho a seguir, um propósito, planos...
Interrompido por uma demissão.
Faltando apenas metade da grana pra viajar, eis que caio doente. Infecção renal.
Uma semana internada e na volta ao trabalho "SURPRIIIIISE!". Demitida.
Mas ainda não desisti. Nem quero falar sobre essas frustrações agora.
Falo talvez sobre a peça "Sorria, você está sendo roubado" que é um sucesso.
Capa do Segundo Caderno do Globo, eu em foto no Extra, JB...
Temporada novamente prolongada, platéia lotada. Elenco unido, papel gostoso de fazer...

Sábado foi aniversário de uma amiga de elenco. Festa no subúrbio. Cerveja, churrasco, samba, funk e muita gente de bem.
Havia épocas que não me divertia assim.
Domingo sushi na casa da Fran.
Sushi, yakissoba, sorvete, campeonato de Mortal Kombat no PS2, uma tempestade e o fim de fornecimento de energia.

As coisas mais simples são tão prazererosas e reconfortantes, mas tão facilmente ignoradas.
Três "irmãos" deitados numa cama de casal. Ouvindo a chuva, brincando de adedanha e "quem sou eu?". Comendo besteira e rindo muito.
Todo clima de roça quebrado apenas pela luz de um celular.

A foto da postagem não se aplica a mesma.
São grandes amigas, de longa data, que não via há anos.
Que também fazem parte dessa minha felicidade momentânea.

P.S.:  Ainda devo o conto do Joe Hill. 

domingo, 31 de janeiro de 2010

29/01


10: 22 da manhã. Estou no trabalho. Um súbito desejo de escrever. Como uma grávida que tem vontade de comer tijolo molhado após uma chuva. Acabo de ler um conto de Joe Hill, do livro “Fantasmas do século XX”. Joe Hill é filho de Stephen King “O mestre do terror”. Herdou o talento do pai. Embora eu não saque muito King, só o que leio sobre ele por aí. Posto o conto logo em seguida desse.


As semanas que se passaram têm sido de muita leitura. Já que não tenho textos a decorar e nem muito o que fazer pela manhã no trabalho. Chego, limpo, organizo, como algo e espero o primeiro cliente aparecer.

Silmarillion, Lua Nova, Billy Straight e Fantasmas do século XX.

Simarillion abandonado no meio numa época tensa e estressante para uma leitura tão complexa.

Lua Nova não preciso comentar. Sucesso de vendas e e de bilheteria no cinema. Juro que não acho nada demais no livro. Acho até um pouco fútil. Um romance. “Edward é um vampiro, e eu uma humana, agora Jake é um lobisomem. Oh, Deus! Sou uma Julieta contemporânea.”

Mas sou uma jovem mulher que, subconscientemente, gosta destas coisas. Algum traço adolescente que não quer se apagar.(risos)

Billy Straight, nunca ouvira falar de tal livro. Ganhei de amigo oculto da minha amiga Cathy. Ela encomendou o “Fantasmas” pelo Submarino, mas não chegou a tempo.

Um puta suspense psicológico. Brilhantemente conduzido por Jonathan Kellerman. Um garoto de 12 anos, testemunha um crime brutal. Vários personagens. Dissecados capítulo a capítulo. O que são e o que os levaram a ser. BRILHANTE.

Me interessei por terror com Joe Hill. Não foi com seu pai, ou com Poe, ou com qualquer autor vampiresco pré-Crepúsculo.

Minha amiga Fran me emprestou “Estrada da Noite”. Um rockstar compra um terno que vem com um fantasma para sua 'coleção de coisas bizarras compradas na internet'”.

Pode parecer bizarro e talvez desinteressante falando assim... Mas ponho minha mão no fogo pelo Hill. Uma história pertubadora, com casarões abandonados e telefones e mocinhas virgens substituídos por mansões e internet e meninas normais, que transam, bebem e fumam.



E eu, o que ando fazendo?

O clássico resumão: Mais um namoro que não deu certo. Saí de casa, fui morar só, mas acabei caindo na casa do meu pai. O dinheiro do aluguel e das contas vão para a poupança. Viajo meio do ano, se Alah quiser. Peça em cartaz. Bom teatro, boa crítica, bom público. Saindo bastante. Bebendo, dançando e saboreando os prazeres carnais.Amigos perdidos, amizades firmes ainda e novos amigos.



Uma péssima fase seguida de uma beeeem melhor.

Depois da tempestade a bonança, como dizia minha avó Targina.

9 anos sem ela. Quantas saudades...