sábado, 15 de novembro de 2008

Traduzir-se


TRADUZIR-SE

Uma parte de mim é todo mundo

outra parte é ninguém

fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão

outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim pesa, pondera

outra parte delira.

Uma parte de mim almoça e janta

outra parte se espanta.

Uma parte de mim é permanente

outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem

outra parte, linguagem.

Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?


Ferreira Gullar


Em alguma parte dessa vida eu me abandonei.

Não sei em qual parte, exatamente. Tantas. Tão turbulentas. Tão entediantemente calmas às vezes.

Lembro que fui uma criança educada, querida, amorosa.

E depressiva.

Normal eu nunca fui. Nunca serei e me orgulho disso.

São tantas pernas malhadas e cabelos pranchados. A roupa da protagonista da novela das 8. O corte de cabelo também.

Eu olho no espelho e me gosto. Olham para dentro de mim e se espantam.

Chilli, Dodger, Pri. Em algum lugar uma Priscilla se escondeu.

Eu sou o que os outros vêem. E o que eles vêem?

Difícil dizer... Uns querem me seguir, uns me olham torto.

Isso para o meu personagem, a Chilli.

A Devoradora, A Boêmia, A Louca.

Pode não parecer, mas meus desejos não são só físicos. Quero algo mais, mas não sei bem o que. Às vezes um bom papo, uma cerveja gelada, dar umas boas gargalhadas é tudo que eu preciso.

Às vezes. Mas o faço sempre. Por que?

Porque é aqui que me acompanham. Alguns poucos me emprestam ombros. Mas na real, nem quero.

É a minha independência, meu orgulho, ou seja lá como chamam, meu único bem.

Eu calejei. Família, amores, amigos. Tantas decepções. Sei bem que fracos são os que não perdoam. Mas desse jeito me sinto forte e assim está bom pra mim. Se não está ruim, de fato está bom.

Pode até ser que um dia eu mude, quem sabe. Para melhor, para pior...

Aos que me lêem agora, peço que não se assuste ou pré-conceitue.

É só um daqueles desabafos. Aqueles que damos quando enchemos de tudo ou coisa similar.


OBS: Estou sóbria.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


O dia que não chegar atrasada, simplesmente não chegarei.
Show do Judas enfim.
Cheguei com o show iniciado.
E que porra de lei mala que proíbe fumar em locais fechados.
Mais malas são os seguranças. Fico imaginando o treinamento deles...
"Aprenda a detectar fumaça", "Olhe em volta, viu uma ponta avermelhada é brasa", etc.
A abordagem é melhor:


  • Segure o pulso do fumante metido a espertinho.

  • Olhe para a cara dele e aponte para o cigarro, na esperança que ele compreenda que é para apagá-lo.

  • Por último olhe feio para a cara dele, assim ele não voltará a infringir a lei.

Ao menos não me mandaram consumir o maço todo ou jogá-lo no lixo.


Citibank Hall vazio. Vazio para o Judas. Porra, o que esse povo anda ouvindo que não foi ao show.


Como RBD lota a casa e Judas Priest não?


Melhor assim. Mais tranquilo para uma mocinha sozinha. Sim, fui só.


Era cena bonita de se ver. Idades mistas. Boa quantidade de tiozões e tiazinhas, pais e filhos e jovens.


1:45 de show, aproximadamente. Muito pouco. Para mim, que prefiro Judas no início de carreira ficou faltando "The Ripper", "Victim of Changes" "Screming for Vengeance" e "Rocka Rolla"(minha biografia). "Diamonds and Rust", uma das minha preferidas, também.




Mas sem muitas reclamações. Me surpreendi vibrando com "Painkiller''! Surpresa nem tanto. Hill arrasa. Aliás, todos. Ápices: Halford entrando no palco de moto e ficar quase cara a cara com o K.K.


Halford em plena forma vocal.


Ouvir seus gritos ao vivo não se compara a nada. Certeza que baterei no peito e falarei aos meus netos: Vovó viu o Judas Priest. E foi demais. Toma esse cd e ouça música de verdade (e meu neto, provavelmente numa evolução mais trash de emo, olhará aquele objeto desconhecido e rirá, o filha da puta).


Aqui se despede uma metaleira que dormirá feliz.


Obrigada, oh pai, o natal chegou mais cedo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

"I was so high I did not recognize..."

Não, não estava alta, no máximo em êxtase...

Assim começou o show do Maroon 5.

E eu, como não podia deixar de bancar a tapada, estava no banheiro.

Mas isso é relevante.

Saí correndo driblando seguranças que queriam me arranjar um lugar na arquibancada e me ajudar com informações. Loucos.

Lá estava ele. Adam Levine. Com uma calça skinny igual a minha, diga-se de passagem.

Fiquei eufórica. Encostou uma groupie em mim. Voltei no tempo, cerca de 7 anos atrás. Show dos Backstreet Boys. Eu vibrando, emocionada. Comparação inútil tendo em vista que daqui a mais 7 anos não vou me envergonhar de ser fã do Maroon.

Não teria como. Ouvi "eca" a semana inteira quando falei sobre o show.

Besteira. Parecia que estava ouvindo o cd. Não, não era playback. No way.

Adam canta muito, sim. A banda toca muito. Vibrei ouvindo o piano de Jesse Carmichael. E gritei quando ele solou.

Mais uma vez me remeti aos meus 13 anos, eu em pleno Maracanã gritando "A.J eu te amo! Me dá seu telefone! Casa comigo!"

Enfim, dessa vez cantar todas as músicas aos berros e lacrimejar ao som de The Sun foi o suficiente.

Só de pensar que não viveria este momento...

Maroon 5 é uma das minhas bandas preferidas e olhe só, nem é metal!

Achei que não conseguiria ir, pois vida de desempregado é foda. Não há melhor palavra.

Mas meu pequeno pai, Jorge Bolseiro, me deu de dia das crianças ingresso.

Yeah, eu ainda ganho presente de dia das crianças!!!

A grana que tinha conseguido segurar comprei o ingresso do Judas Priest.

Fui a criança mais feliz nesse 12 de Outubro.

Ansiei pelo dia.

Portão abrindo as 21:00, D. Franciny me chega aqui as 20:00 querendo ainda comer e etc.

Não preciso dizer que lhe enfiei qualquer coisa goela abaixo e a arrastei para a rua.

HSBC Arena. Porrinha de lugar longe do cacete.

Longe não, mas de difícil acesso.

E porque pessoas cismam em dar informação mesmo sem saber?

Pedi ajuda a uns 3 ou 4 transeuntes. Todos enrolados e dando direções completamente opostas!

Enfim chegamos.

Proibida a farofada. Coma seus perecíveis aqui ou jogue-os no lixo. Não entrará com eles.

"Meu bem, sou diabética. E se eu precisar comer, passar mal...?"

De fato passei. Hipoglicemia. Pura emoção. Ridículo eu sei. Mas foda-se. Com todas as letras:

F

O

D

A

-

S

E



Por que eu vi o Maroon ao vivo. Cantei junto. Gritei.

E agora é esperar o Judas...

Amanhã!

Aguardem informações.


I won't go home without you - A galera cantando junto com o Adam

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

"Qualquer dia desses vou fugir de casa... [05/11/08]


... Não volto. Não volto!"



Várias vezes cantei isso em momentos de surto.



Hoje vendo o telejornal, coisa q admito raramente fazer, vi uma reportagem sobre um garoto que fugiu de Valença para o Rio de bicicleta.



"Não tive motivo, apenas quis ir embora", disse o garoto.






Mesmo que o motivo tenha invalidado, sempre fica uma vontade de sumir...



Deixar tudo e todos para trás. Vida nova!



Lembro de quando eu era pequena... Quando minha avó brigava comigo eu pegava uma sacola de mercado e colocava duas calcinhas dentro e saía.



Só andava de calcinha mesmo. Era meu básico. O suficiente para ser feliz!



O que me fodia a vida era o elevador. Tinha medo de andar sozinha nele. Mais medo tinha das escadarias sombrias do prédio.



Então, minha fuga terminava no fim do corredor.


Hoje aos 20 anos ainda vivo isso. Mas o corredor e o elevador são apenas metáforas...









sábado, 25 de outubro de 2008

Um bom filho a casa torna...


Dias sem postar, mais uma vez.
A preguiça em mim abunda. E se alia a falta de computador.
Meu amor, meu filho, meu namorado, meu amado pc está em greve.
Liga, mas nem executa nada.
Sem muitas novidades...

Vou ao show do Judas Priest. E o Maroon 5 também!
Continuo desempregada.
Voltei ao status solteira.
Mais três apresentações de dança do ventre, ou seja, mais ensaios exaustivos.
Tive mais um domingo insano, com direito a briga de torcida organizada em frente ao restaurante que eu almoçava. Vasco X Flamengo. Muita porrada, desespero e morteiros.
Ganhei o título oficial de "Ovelha Negra da Família".

Sabe aqueles dias que você acorda cheio de idéias e ao tentar por em prática esquece?
Então, é hoje.
Passar bem.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Capetas em forma de guris

Um domingo calmo, sentada em frente a tv vendo Faustão nunca acontecerá em minha vida.

É preciso ser bem caótico. Senão não tem graça.

Dia das Crianças.

Não, não. Nada de dia 12 de outubro e presentes. Foi dia das crianças perturbarem.

Votação para prefeito e vereador. Espero meu pai me levar em Ramos para votar.

Ele, ainda tendo que trabalhar e votar em Copacabana, resolve almoçar antes.

Fomos a Tijuca, no restaurante da portuguesa.

(Deus, não me deixe faltar carro, porque tudo isso de ônibus...)

Chegando lá o Gustavo, enteado do meu pai, cismou de sentar em tal lugar. Meia hora depois estava uma porta de blindex desabando em cima da cabeça dele. Eu podia jurar que havia um alvo embaixo da cadeira...

Desespero. Afinal não é todo dia que uma porta de vidro enorme explode na cabeça de uma criança de 6 anos. E a criança de 6 anos ainda é bem magra e frágil...

Guga grita e chora. Eu olho e vejo um caco enterrado na cabeça dele. Minha madrasta e meu pai correm e apertam a cabeça do guri. Eu me ponho a berrar, "Tira a mão! Não põe a mão!"

Será que não sabem q não se mexe no acidentado????

Meu pai gosta do meu brado e faz o mesmo.

Clientes gritando que era tiro. Levamos a criança ao hospital então.

Meu pai, que já estava com o menino no colo, corre para o carro. Mas para que chaves, celular, nextel e bolsa, ?

Lá vou eu catando tudo que deixaram para trás. Entram cacos na minha sandália. Eu tiro e sacudo, mas não há tempo de repor. Saio correndo com bolsas, celulares, chave do carro, sandália não mão e um pé descalço. O motoboy do restaurante vai na frente abrindo caminho e meu pai atrás jurando que está dirigindo uma ambulância. Entram no hospital correndo. Deixam para trás o carro aberto com a chave na ignição. É, meu pai esqueceu que não sei dirigir. O motoboy se oferece pra estacionar. Entro no hospital, tremendo tanto que parecia que dançava o créu velocidade 10. Sandália na mão, bolsas e nada de avistar ninguém. De repente só dedos me indicando o caminho, como placas. Encontrei. Meu Deus, cada dia que passa estou mais mulherzinha. Olhei a criança, meus olhos inundaram, "Ele vai ficar bem?".

Ficou bem de fato (e eu não terminei meu filé mignon ao molho de vinho com arroz a piamontese...)

Só um susto, pra ver se nós estávamos espertos.

Votei e fui para a casa da Fran. Festa de 3 anos do Coelho, o caçulinha.

Festa de criança é sempre a mesma coisa. Crianças mal-educadas e sujas correndo e empurrando. Doces, muitos doces. Adultos malas puxando assuntos nada a ver.

Mas essa foi com esfihas do Habib´s e Mortal Kombat!

Dentre tudo mais uma menina antipática que quis folgar comigo, descobrir que pegar um táxi na Avenida Brasil é quase impossível, ter 20 é um saco pois os brinquedos tem permissão para idade máxima de 10 anos, festa de criança não tem cerveja...

Salvo o nosso campeonatozinho de Mortal Kombat!

Anos que não jogava fliperama...

Ou "frip"/"friper" como alguns menos favorecidos costumam dizer.

Cara, tinha esquecido como era bom!!! E junto esqueci todos os macetes de poder.

Ficamos só nos chutes e socos e liberando poder por pura cagada.

Reparem que há sempre um engraçadinho que escolhe o Motaro.

Para quem não se lembra, Motaro é aquele centauro enorme que só é vencido se o oponente agachar e socar debaixo para cima. Eu não lembrava disso. Perdi o campeonato.

Também havia me esquecido que quando começo a jogar não consigo parar. Monopolizei a máquina e estava quase rosnado quando se aproximavam. Coisas da vida.

Acabou a festa e fiquei esperando a mãe da Fran me levar a um ponto mais próximo. Com isso saí de Bonsucesso mais de 22:00.

Cheguei em casa quase as 23:00. Abrindo meu portão, olho de relance para o lado e vejo uma cabeça. "Puta que me pariu. Morei 7 anos em Ramos e nunca vi nada similar!"

Lá vem o ataque de vara verde de novo. Dessa vez 3 vezes mais intenso.

Não, não era uma cabeça cortada no meu portão. Era um táxi estacionado com um homem deitado ao lado. Só pude ver a cabeça.

Um bêbado, um morto, um infartado?

Não, um mendigo que SEMPRE dorme ali, segundo minhas tias.

Nunca reparei. Nunca.

sábado, 4 de outubro de 2008

CPF (Carol, Pri e Fran)


Status de hoje: Dor no baço. Sim, de tanto rir. Dormi na casa da Carol ontem. E como sempre, quando nos juntamos é só alegria. Fui conhecer a casa nova dela. Eu, Franciny e Geórgia, esta última uma amiga dela, super divertida, aliás. Coisas de menina. Bebemos, comemos besteira e rimos MUITO. É muita abobrinha para pouca mulher. Eu, cansada, logo peguei no sono. Mas, rolou um day after também. Com direito a prova de roupas e hidratação capilar.
Deixei de ir no Electron... Uma dessas festinhas gays que adoro ir. Mas valeu a pena sim. Sempre vale. Passemos disso para a novidade do dia: estou namorando.
Yeah, morre a Chilli pegadora e nasce uma Chilli compromissada. Mas a essência é a mesma, eu garanto.
Agora só é menos festas e nenhuma pegação.
E depois de tanto fugir do compromisso, eu mesma pedi o "anjo" em namoro.
Já que vou largar a vida boêmia, que tenha algum estilo...
E o anjo, que por vezes citei nesse blog, se chama Ernanes.
Já não há mais porque "preservá-lo".
Por hoje é só. Fique ligado e espere mais um capítulo da sua novela mexicana "La Cabeza de La Chilli".